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terça-feira, 28 de junho de 2016

Resenha: O MONSTRO E SEUS VAZIOS

 “O Monstro e seus Vazios” (Benfazeja, 2016 -1ª reimpressão) é o livro de estreia de Wellington Souza, embora o autor (e editor) tenha participado anteriormente de antologias, revistas literárias e concursos com seus contos e poemas.

O ponto de partida do livro é o fragmento de “A hora da Estrela” (Clarice Lispector) : “Quem nunca se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?”  que traduz a indagação do individuo perante sua existência.

E o “monstro” do título pode estar na própria estrutura de um livro cheio de vazios, encontrados entre os versos dos poemas ou, para além da forma, em seu próprio conteúdo, que é o sentimento expressado pelo eu-lírico.

O conflito com o outro, com o amor, com os espaços e consigo mesmo, no caso o eu-lírico, por vezes recortado pelo cigarro, tão recorrente nos poemas, faz o desenrolar da obra.


Em “perdidos” , por exemplo, há uma narrativa poética em seus versos onde o vazio se destaca no passar do tempo pelos períodos do dia (manhã e tarde), e a situação em si.

“manhã/ela tomou um ansiolítico/ele fumou quatro cigarros/dormiram, por fim/ tarde/ ela não saiu da cama/nem ficou ouvindo música/olhando para o teto/ele escovou os dentes/por meia hora/encostado na parede do quarto” (página 43) .

A dimensão do “monstro” não está em seu aspecto físico e sim de como ele é encarado. Desperta e repousa em cada estrofe. O fluxo de consciência dos poemas o define.

Todos estes elementos e a escolha estética entre forma e conteúdo faz deste um trabalho que leva o leitor a reconstruir os sentidos e o lirismo em cada poema.



Livro : O MONSTRO E SEUS VAZIOS
Autor: Wellington Souza
Gênero: Poesia
Editora: Benfazeja
Ano: 2016 (1ª reimpressão)

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