“O Monstro e
seus Vazios” (Benfazeja, 2016 -1ª reimpressão) é o livro de estreia de
Wellington Souza, embora o autor (e editor) tenha participado anteriormente de
antologias, revistas literárias e concursos com seus contos e poemas.
O ponto de
partida do livro é o fragmento de “A hora da Estrela” (Clarice Lispector) : “Quem nunca se perguntou: sou um monstro ou
isto é ser uma pessoa?” que traduz a
indagação do individuo perante sua existência.
E o “monstro” do
título pode estar na própria estrutura de um livro cheio de vazios, encontrados
entre os versos dos poemas ou, para além da forma, em seu próprio conteúdo, que
é o sentimento expressado pelo eu-lírico.
O conflito com o
outro, com o amor, com os espaços e consigo mesmo, no caso o eu-lírico, por vezes recortado pelo cigarro, tão recorrente nos poemas, faz o desenrolar da obra.
Em “perdidos” , por exemplo, há uma narrativa poética em seus versos onde o vazio
se destaca no passar do tempo pelos períodos do dia (manhã e tarde), e a
situação em si.
“manhã/ela tomou
um ansiolítico/ele fumou quatro cigarros/dormiram, por fim/ tarde/ ela não saiu
da cama/nem ficou ouvindo música/olhando para o teto/ele escovou os dentes/por
meia hora/encostado na parede do quarto” (página 43) .
A dimensão do “monstro”
não está em seu aspecto físico e sim de como ele é encarado. Desperta e
repousa em cada estrofe. O fluxo de consciência dos poemas o define.
Todos estes
elementos e a escolha estética entre forma e conteúdo faz deste um trabalho que
leva o leitor a reconstruir os sentidos e o lirismo em cada poema.
Livro : O MONSTRO E SEUS VAZIOS
Autor: Wellington Souza
Gênero: Poesia
Editora: Benfazeja
Ano: 2016 (1ª reimpressão)
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